Descoberta dobra população de raro peixe que ‘anda’ em vez de nadar

O peixe-mão-vermelho (, extremamente ameaçado de extinção. Até a semana passada, apenas uma população era conhecida pelos cientistas, com 20 a 40 indivíduos num recife na costa da Tasmânia, na Austrália. Nesta semana, mergulhadores do Instituto para Estudos Marinhos e Aquáticos da Universidade da Tasmânia (Imas, na sigla em inglês) e do projeto cidadão Reef Life Survey anunciaram a descoberta de um segundo grupo da espécie.

Estimativas iniciais indicam que esta nova população também é composta por 20 a 40 indivíduos. Segundo Antonia Cooper, assistente técnica do Imas, o local do novo grupo não será divulgado até que estudos mais aprofundados sejam realizados. Ele está a poucos quilômetros do outro e cobre uma área similar, com cerca de 50 metros por 20 metros, o equivalente a duas quadras de tênis.

Diferente da maioria dos peixes, o alcance do peixe-mão-vermelho é limitado por uma característica física: em vez de nadarem, eles caminham sobre o solo marinho. A espécie tem as nadadeiras parecidas com patas, que servem para a locomoção. A descoberta que dobra o número de espécimes conhecidos aconteceu graças a relatos do público, que deram início a uma missão de busca de dois dias na região.

— Nós estávamos mergulhando a cerca de três horas e meia e nos olhávamos dizendo que a procura não estava promissora. Meu parceiro estava indo dizer aos outros que nós subiríamos enquanto em procurava entre as algas e encontrei o peixe-mão-vermelho — contou Antonia. — Encontrar uma nova população que definitivamente é distinta da que conhecíamos é muito excitante. Isso significa que existe potencial para maior variedade genética e potencial para a existência de outras populações que ainda não encontramos.

O T. politus foi descrito pela primeira vez no século XIX, mas só foi descrito encontrado novamente nas décadas de 1950, 1980 e 1990, segundo relatório do governo australiano. “Parece que o peixe-mão-vermelho passou por um declínio marcante tanto em distribuição como em abundância”. Pela limitação física, eles são alvos fáceis de predadores e coletores ilegais.

O pesquisador do Isma Rick Stuart-Smith explica que quando ameaçado, o peixe-mão-vermelho é capaz de nadar rapidamente, mas por apenas 50 centímetros. Em situação normal, esse pequeno peixe com cerca de sete centímetros de comprimento apenas caminha.

— Encontrar esta segunda população é um grande alívio e efetivamente dobra o número de peixes que restam no planeta — comentou Stuart-Smith. — Nós já aprendemos muito com a descoberta porque o habitat não é idêntico ao da primeira população, então o peixe-mão-vermelho não é tão dependente daquelas condições particulares.

As informações são do Jornal O Globo.

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