Três pessoas morreram após tomar vacina da febre amarela em São Paulo

Desde janeiro de 2017, ao menos três pessoas morreram no Estado de São Paulo após tomarem a vacina da febre amarela. As mortes foram confirmadas pela Secretaria Estadual de Saúde, que afirmou estar investigando outros seis casos. As mortes ocorreram na capital paulista (Perus e Franco da Rocha) e em Matão, região de Rio Preto. 

Por uma deficiência imunológica, não identificada na triagem da vacina, as vítimas desenvolveram uma reação adversa à imunização e, ao invés de criarem uma resistência contra o vírus, acabaram sendo contaminadas por ele. 

As reações adversas à vacina --como dores no corpo, dores de cabeça e febre-- podem afetar entre 2% e 5% dos vacinados nos primeiros dias após a imunização. Já as mortes são ainda mais raras. Segundo a Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), esses casos ocorrem em um em cada 400 mil doses aplicadas.

Todas as vítimas, segundo a secretaria, tinham menos de 60 anos. Dois deles morreram na capital, sendo um residente da zona norte da cidade (Perus) e outro em Franco da Rocha. Ambos foram vacinados depois de outubro. O terceiro morreu em fevereiro de 2017 e residia em Matão, região de Rio Preto.

Uma outra vítima --que possivelmente não está incluída nas estatísticas do Estado-- foi a professora aposentada Mônika Oelkerf, 76, que morreu no dia 16 de janeiro, oito dias após ter tomado a vacina contra a febre amarela. A moradora de Ibiúna (a 75 km de São Paulo) começou a se sentir mal --cansaço, febre, fraqueza e falta de apetite-- no dia seguinte à imunização. Em pouco tempo, o quadro evolui para hemorragia pulmonar, hepatite aguda, icterícia febril e febre hemorrágica. 

É por causa de casos como o da aposentada que a secretaria alerta para os riscos da procura indiscriminada pela vacina e só recomenda a imunização "para pessoas que vão a ou residem em áreas onde o vírus circula". 

Vale lembrar que a vacina contra febre amarela é considerada altamente segura. É indicada para crianças a partir dos nove meses (ou seis meses, se o bebê vive em uma área de risco). Mas devem passar por consulta médica antes de tomar a vacina idosos a partir de 60 anos, gestantes, pessoas que terminaram o tratamento com quimioterapia ou radioterapia, portadores de doença renal, hepática ou no sangue e pessoas que fazem uso de corticoide.

A imunização é contraindicada para crianças menores de nove meses, mulheres amamentando crianças menores de seis meses, àqueles que têm alergia grave a ovo, quem vive com HIV e tem contagem de células CD4 menor que 350, quem está em tratamento com quimioterapia/radioterapia, a portadores de doença autoimune, e àqueles que estão em tratamento com imunossupressores.

Número de mortes no Estado
O número de mortes por febre amarela no Estado de São Paulo subiu para 36 desde janeiro do ano passado, segundo o balanço da Secretaria Estadual de Saúde divulgado nesta sexta-feira. Ao todo, foram confirmados 81 casos da doença.  

Cerca de 50% das infecções foram contraídas em Mairiporã, 11,1% em Atibaia e 6% em Amparo. Essas três cidades respondem por dois terços dos casos de febre amarela silvestre no Estado. Não há casos confirmados na capital paulista. 

A partir do dia 25 de janeiro, o Estado vai começar a oferecer a vacina fracionada em 54 municípios. No fracionamento da vacina da febre amarela, a mesma vacina é utilizada, só que em dose menor. A diferença está no volume e no tempo de proteção. A dose padrão possui 0,5 ml e protege por toda a vida, enquanto a dose fracionada tem 0,1 ml e protege por oito anos, segundo estudos realizados pelo Instituto Biomanguinhos, da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), fabricante da vacina.

A estratégia de fracionamento da vacina é recomendada pela OMS (Organização Mundial da Saúde) quando há aumento de casos de febre amarela silvestre de forma intensa, com risco de expansão da doença em cidades com elevado índice populacional e que não tinham recomendação para vacinação anteriormente.

As informações são do Jornal Folha de S.Paulo

Notícias Relacionadas